segunda-feira, 8 de junho de 2009

Quem é cego aqui?



Olá amigos!

Ontem, como desde há 30 anos a esta parte, estive numa mesa de voto. Aconteceu, porém, uma coisa que nunca me tinha acontecido e que acho que merece ser partilhada com mais gente.

Então aqui vai:

Logo que cheguei ao local de voto tive uma agradável notícia: "se algum invisual pretender votar sem auxílio de outra pessoa (como tem acontecido desde 1974) pode votar num boletim em braille"...

Que bom! Finalmente estamos a sair do terceiro mundo! - pensei eu... (naif....)

Quando chegou um invisual para votar foi com o meu maior sorriso que lhe comuniquei a novidade... Depois de elogiar essa moderna medida o eleitor dirigiu-se à cabina de voto e.... começou o problema.... Aquela coisa tinha os partidos em braille (se bem se lembram eram 13) mas depois não tinha uma indicação do local para colocar a cruz...

Enquanto o sorriso se ía apagando da minha boca lá sugeri que a esposa fosse à cabina fazer a cruzinha no sítio certo...

Pronto! Pelo menos o eleitor "leu" os nomes dos partidos... (pensei eu, auto-consolando-me).

E o casal lá foi com a sensação do dever (bem) cumprido...

Mas foi então que o meu único neurónio de loira acordou e disse bem alto: "como vamos contabilizar este voto? alguém aqui sabe ler braille? em que partido votou o senhor?"
Aí começou a confusão...
Afastada a hipótese de chamar um intérprete - que iria invadir a privacidade do eleitor - e depois de telefonemas para a Comissão Nacional de Eleições chegou-se à conclusão que afinal aqueles boletins (em braille) ainda não são válidos para nós (a cauda da Europa), que afinal não está previsto na Constituição, que bla, bla, bla...

Conclusão - telefonámos ao senhor (felizmente Leiria é uma aldeia onde todos se conhecem) e ele cumpriu o seu dever como sempre: com a ajuda de uma pessoa e num boletim igual aos dos outros cidadãos... porque senão a minha mesa teria um grande problema para encerrar a votação e entregar dados correctos à CNE.

Falta dizer que, para além deste episódio trágico-cómico ainda tivémos todo o dia o problema das pessoas que já têm o Cartão de Cidadão (que é suposto substuir o BI, o contribuinte e o cartão de eleitor). É que esses cartões não têm número de eleitor e é impossível procurar alguém nos cadernos sem ser pelo número... Resultado - todos tiveram que ir à Junta de Freguesia pedir o número para votar...

Afinal quem é cego? Quem não vê ou quem finge que não vê? Ou ainda quem não quer ver?

País pequenino este!

Ufa!





7 comentários:

Anónimo disse...

Pois em braile,razão tem o meu amigo Alfredo invisual de nascença,diz sempre... antes cego do que politico corrupto... posso ñ partilhar na totalidade,mas que hexiste muita fruta podre hexiste. Mais amiga quando te referes a esse teu unico neurónio.. pergunta ao pessoal da CNE se o neurónio bébe deles já acordou.Podes axar um acto que passa sem qualquer relevo,mas na memoria desse invisual que foi cumprir o seu dever civico, essa cena caricata ele nunca a vai essquecer:nem que seja para gozar com os nossos politicos...
Agora só mais uma,na escola que frequentei e que serve de local de voto cá na parvónia... fomos de guarda chuva aberto pois estava a chuver.
bjinho : sg candongueiro

Anónimo disse...

Calma, Tininha Maria...

Nada que um almoço à beira-mar não resolva e lhe devolva a beleza...!!!

Calma!

(agora a sério... Estou estupefacta... Vou imprimir o seu post para amanhã nos rirmos todas na hora do café... Tal a patetice da coisa... Somos, os tugas, uma boa cambada)

Beijinhos

ovo*

Brancamar disse...

Ah, já descobri onde vai ser o tal almoço! Ovinho, acho que almocei por lá no Sábado, quase que te encontrava!

Querida Albertina:

Desculpa a introdução, mas já te saudei no Ginásio. E logo hoje que cheguei tarde da rua, não agora mas há duas horitas atràs ou mais, é que foi a grande festa do teu retorno!
Amanhã, se conseguir estar por aqui cá te espero.
Fiquei muito feliz por te ver!
Quanto aos episódios eleitorais, pois caricato o primeiro!
O segundo digo-te francamente que não cheguei a perceber, embora ouvisse o mesmo na televisão. E não percebi porquê? Porque antes de o meu velhinho B.I. caducar, o que aconteceu há muito pouco tempo eu também pensava, era a ideia que passava, que o cartão de cidadão substituía muita coisa, era o tal cartão único. Ilusão nossa! Recebi o cartão de cidadão com três números - o do B.I., o NIF e o número de Segurança Social, por mais que eu dissesse que tenho A.D.S.E., agora temos que ter todos um número enorme de segurança social, também expliquei que já tive por um ano, mas inventaram-me outro - aliás para que não houvesse dúvidas a funcionária furou-me os cartões antigos (BI e NIF). O que acontece é que o cartão de cidadão tem um chip onde podes colocar toda a informação que quiseres, até o teu grupo sanguíneo, o número para quem devem ligar em caso de emergência e o que te der na gana, mas para isso tens que ter um aparelho de leitura, tipo do tamanho daqueles aparelhos multibanco dos supermercados. Quando vais levantar o cartão já tens recebido pelo correio uma série de códigos que vão servir para introduzir no cartão, outros serão da tua opção, até podes usar um que te permitiria tratar de documentação civil à distância e assinar digitalmente se quisesses. Isto só para dizer que não substitui o cartão de eleitor nem outros que não os 3 que referi, tu é que poderás introduzir lá essa informação, eu também a tenho porque me puseram dois ou três dados para me explicar, mas não te lê a informação sem o tal aparelho, não sei se vocês o tinham na mesa de voto, eu continuo a levar os dois cartões.
E já ficam a saber quem ainda não passou por isso, com estas informações todas que somos obrigados a ouvir, demoramos à vontade meia hora ou mais para levantar o cartão e é o tempo que esperas por cada cidadão que estiver à tua frente, hihihi.
E se quiseres introduzir dados ou lê-los em casa tens que comprar um aparelhinho daqueles que é o registo civil que os vende, igual ao que têm lá para nos receber e confirmar de novo o que fizeram da primeira vez, impressões digitais (duas), assinatura, etc,etc, hihihi, eu não quis trazer, não me apeteceu, gosto de ir aos sítios e estou farta que me vendam tudo e mais alguma coisa.
Dorme bem e esquece o dia de ontem, tenho um amigo invisual que há uns anos caiu num buraco de obras da Câmara do Porto e viu-se grego para lhe pagarem as despesas no Hospital.
Beijinhos.
Branca

Observador disse...

Queria, a Albertina, uma atitude "p'rafentex".
Pois. Ainda nem no segundo mundo estamos quanto mais no primeiro.
Fazem-se coisas sem pensar.
O habitual.

cmykismybestfriend disse...

eu acho que deveria haver um sistema electrónico

Linda disse...

Albertinaaaaaaaaaaaa!!! Pensavas que estavas aonde?
Querida não saíste de Portugal, estavas cá! afinal o "CU" (leia-se cartão único não se ponham ai a pensar na parte traseira) não é tão eficaz, ainda falta qualquer coisa para terem o "CU" a funcionar em pleno, sim que isto de ter um "CU" a 100% não é para qualquer um!

Bjs

Ana Paula disse...

Tenho vindo ao seu blog várias vezes(através do bog Careca loira...eu também passei por uma fase dificil tenho cancro de mama), mas só hoje me apercebi que é de Leiria. Eu vivo em Leiria, um dia destes temos de ir tomar café.
Beijinhos